Install this theme
O deus deles

E o Ronaldo parou.

O fim foi trágico, mas nem vou mencioná-lo. 

A história dele foi maior.

Mas nem tanto assim. Como muitos querem.

Não acompanho o futebol há muito tempo, mas Ronaldo não foi o melhor jogador que vi atuar.

Romário e Zidane, para mim, estão a frente.

Mas, deixando as opiniões contestáveis, queria contestar alguns mitos em torno do fenômeno. 

O primeiro é o da “superação”.

“Mesmo depois de cirurgias delicadas e lesões complicadas ele sempre deu a volta por cima e voltou.” É o que os carentes em ídolos vendem.

Mas queriam o quê? Que ele desistisse? Que nem tentasse? 

Claro que não. Ele sofreu e voltou. Era novo e os médicos deram o aval.

Nada mais que isso. 

Fez, o que muitos fazem, sem serem coroados.

Era o tinha que fazer, tentar. 

Tentou voltar, lutou e deu certo.

Nada mais. 

Ponto.

O segundo é o de “maior artilheiro da história das copas.”

Não que ele não seja.

Ele é.

Mas ele jogou 3 copas. 19 jogos. 

Sem contar os dois da final da Copa de 2002, que foi um feito. Ele marcou gols contra as poderosíssimas seleções do Japão, Gana, China, Costa Rica, Bélgica, Chile e Marrocos.

Marcar em copas é tão difícil que o contestado Miroslav Klose tem 14.

Só um a menos.

Ronaldo jogou 3 copas, venceu uma com ajuda de Felipão, Rivaldo e Ronaldinho.

E perdeu duas.

Em 98, foi o protagonista da final inexplicável.

E em 2006, na qual se apresentou e jogou com mais de 100Kg.

Números de um deus?

Acho que não.

Ronaldo era um atacante rápido e de chute potente e certeiro.

E nada mais.

Rapidez e bom chute. Isso o diferenciava da maioria dos atacantes.

Quando perdeu a velocidade por conta do peso, do álcool e do fumo e não do hipotireoidismo, o que sobrou?

Apenas um atacante lento e facilmente marcável. Que só poderia ter obtido sucesso em gramados brasileiros.

Não foi o gênio que pintam. 

Foi um excelente jogador. 

Um atacante potente e goleador.

Se se pode dizer que “só”. Foi só isso.

A carência de ídolos nos confunde. 

Criamos coisas. 

Inventamos outras.

Fechamos os olhos para fatos.

Ronaldo é o mito de hoje.

Como Santos Dumont foi um dia.

E viva o Brasil, pátria sem educação, louca para ter o que adorar.

(sem revisão)

 
  1. logicaliquida posted this